Tudo o que é sólido desmancha no ar*

Muito tem se falado sobre Design Thinking e alguns tentam levar para uma discussão dicotômica, ou ainda pior, para uma discussão maniqueísta entre o bem e o mal. E não quero nem lembrar que às vezes surgem discussões rasas e confusas sobre o assunto. Afinal todo mundo quer falar sobre tal (eu me incluo nessa!). Porém, eu procuro ser muito prático no meu modo de ver e trabalhar o design na minha vida profissional. Acredito que devemos aproveitar esse momento positivo para construir um discurso coerente através desse “novo design”.

Historicamente o design passou por muitas ondas, de escolas acadêmicas a movimentos. Nesses primeiros anos do novo século, não só o design, mas toda nossa sociedade está passando por profundas mudanças: barreiras geográficas estão caindo, há uma mudança significativa na ordem mundial…vemos jovens que lançam um serviço na Internet ficarem ricos da noite para o dia. Vemos empresas tradicionais nos seus ramos perderem sua liderança para empresas novatas em pouco tempo. Marcas que ontem eram símbolos da nossa sociedade, já não existem mais. E o que o design tem com isso? Tudo oras!

O design como manifestação do labor humano faz parte da nossa cultura e ele também está passando por profundas mudanças, conectadas ao que escrevi acima. Por quê? Porque hoje não estamos mais fazendo coisas. A “coisificação” não está mais no nosso pipeline, porque o consumidor se transformou de receptor passivo em participante ativo do processo. O nosso papel como designer é pensar primeiro sobre experiências humanas, em vez de pensar na coisa em si. Hoje somos mediadores! Essa é a nova onda!

Por isso, antes de discutir que novo design é esse que estamos falando, penso que devemos ter a clareza que o design que conhecemos está se desmanchando. Hoje, estamos pensando e construindo processos e sistemas, com foco no entendimento das experiências das pessoas.

É através da interação com os serviços, que podemos ter uma visão desse design contemporâneo e da nossa importância dentro do processo produtivo. Se tivermos a conscientização da imaterializarão do design, pouco importa que nome o mercado dá para isso. Dessa forma ficamos mais livres e podemos assim nos preocupar em fazer (e pensar) design. Podemos focar no seu real objetivo: entregar valor através de serviços significativos.

*Gostaria de indicar a leitura do livro de Marshall Berman que dá título a esse artigo: “Tudo O Que É Sólido Desmancha No Ar”.

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