Interaction South America 2010 (resumo)

Entre os dias 2 e 4 de dezembro de 2010 ocorreu, no campus da Universidade Positivo, em Curitiba, o segundo Interaction South America. Participaram do evento mais de 250 pessoas de várias partes do Brasil.

Com a proposta de solidificar o nome do evento no hemisfério sul e colocá-lo no mapa dos eventos sobre design e tecnologia, tivemos uma tarefa árdua: montar uma grade de assuntos que representasse o real papel do design de interação para o nosso mundo, tornando-o economicamente viável e sustentável. Para isso o papel de curadoria precisava reunir uma gama bastante grande e rica de profissionais e pesquisadores das várias áreas do conhecimento que compõem o design de interação.

Durante os três dias do evento, pudemos contar com a presença de 22 pensadores do design de interação, entre palestrantes e moderadores de workshops. Para o line-up de palestras convidamos:
Dave Malouf (SCAD), falando sobre a formação do designer contemporâneo;
Isabel Fróes (IT Copenhagen), que falou sobre as conexões, interpretações e vínculos que as pessoas acabam criando em relação aos seus dispositivos.
Jaakko Tammela (Whirlpool), falando sobre o produto físico como interface.
Andressa Vieira, René de Paula e Alexandre Freire (Locaweb), mostrando a experiência em trabalhar metodologias ágeis e user experience.
Eleanor Davies (frog design), falando sobre pesquisas etnográficas no campo do design de interação.
Luiz Merkle (UTFPR), tratando da apropriação e produção de artefatos para o cotidiano.
Luciano Meira (CESAR), falando sobre análise interacional no campo do design de interação.
Marcelo Gluz (Globosat), apresentando um trabalho sobre transmedia através do uso do storytelling.
Ivan Wolcan (Globant), falando sobre a experiência de uma empresa argentina ao inserir o processo de user experience dentro do desenvolvimento de sistemas e websites.
Jonas Löwgren (Malmö University), que nos deu uma aula sobre design de interação com olhos para o futuro.

Workshops

O primeiro dia começou com quatro workshops pela manhã:
Dave Malouf – Sketching: The secret sauce of design, que trabalhou o uso da criatividade e do esboço como um passo inicial importante dentro do processo de design.
Giselle Rossi, Tâmara Baía e Laura Sardinha – Mobile Interaction Design, que mostrou a metodologia de trabalho utilizada pela equipe de designers do Instituto Nokia de Tecnologia.
Kleber Puchaski – Pesquisando o futuro, que apresentou a metodologia de pesquisa para desenvolvimento de novos produtos criada por ele, enquanto estava finalizando seus estudos de doutorado na Royal College of London.
Jane Vita e Chico Spencer – Digitalizar ou não digitalizar eis a questão, que apresentou o uso de role-playing games como ferramenta para a fase de concepção do produto através da vivência e do design de interação.

No período da tarde tivemos mais quatro workshops:
Anderson Penha e Daniel Egger – Experiência do usuário no processo de co-criação, que apresentou o processo da Symnetics de se trabalhar as fases do desenvolvimento do produto ou serviço com a co-participação dos usuários finais.
Luis Alt – Design Thinking aplicado a serviços, que apresentou o design thinking como uma importante ferramenta na concepção e desenvolvimento de serviços.
Márcio Fábio Leite – Antecipação de tendências e pesquisa visual, que mostrou como a Pesquisa em Design é uma etapa importante e fundamental na tomada de decisões no uso de recursos, linguagens e estratégias.
Jonas Löwgren – Articulating experiential qualities in interaction design and using them to guide concept development, que apresentou formas de colocarmos nossas experiências na concepção de produtos inovadores.

Palestras

Durante o evento falou-se muito sobre a necessidade do profissional de design de interação “pensar fora da caixa”. A palestra inaugural do evento, por Dave Malouf, c0- fundador da Interaction Design Association (e uma das principais vozes sobre assunto), debruçou-se sobre a necessidade de transportar experiências pessoais do mundo físico para a rotina de trabalho do designer.

Na mesma linha, Eleanor Davies nos deu um panorama bastante rico dos rumos que o Design pode tomar em termos de pesquisa etnográfica, a fim de traduzir oportunidades em contextos sócio-econômicos diversos em Design aplicado a negócios, produtos e serviços. Contribuiu com uma reflexão importante, segundo a qual mais vale pensar de fora para dentro, ou seja, levar a experiência de vida a partir do cruzamento de culturas e colher inspirações únicas para em seguida compartilhar esse conhecimento com o restante da equipe, a fim de efetivamente criar um projeto inovador.

Essas inspirações, segundo Isabel Fróes, podem ocorrer através de conexões, interpretações e vínculos que as pessoas acabam criando em relação aos seus artefatos pessoais, construindo o que os antropólogos chamam de cultura material. Essas conexões e interpretações podem ser percebidas e observadas pelos designers através de pesquisas qualitativas como a de análise interacional, como aquela apresentada por Luciano Meira, através de exemplos junto a um instituto privado de inovação. As conexões e interpretações ainda podem ser construídas através da criação e contação de histórias (storytelling) de nossas relações com os objetos em diferentes mídias. Segundo Marcelo Gluz, todos estes canais complementam a “história” central, gerando, ao final, um produto com muito mais apelo, que cria um grande impacto em nossas vidas. Aqui o “pensar fora da caixa” toma outras dimensões, ao constatar que o design de interação ultrapassou as barreiras das interfaces bidimensionais das telas dos mobiles e dos monitores de computadores. Jaakko Tammela apresentou como o design de interação e todo o conceito de user experience é utilizado na concepção e no design de produtos eletrodomésticos, mostrando o produto como interface de nossas relações com o meio e com outras pessoas.

Além do foco teórico e questionador do evento, ainda tivemos duas apresentações que mostravam como o design de interação está integrado a essas empresas, uma no Brasil e uma na Argentina. Ivan Wolcan apresentou como o design e o user experience, através do enfoque do design de interação, está integrado com a equipe de desenvolvimento de software de uma grande empresa argentina, que possui 95% dos clientes no exterior. Já do Brasil tivemos o exemplo da equipe de UX (User experience), composta por Andressa Vieira, René de Paula e Alexandre Freire, de uma empresa provedora de serviços web que utiliza metodologias ágeis em seu processo de integração com a equipe de desenvolvimento de software.

O designer de interação deve ter um olhar resiliente para os detalhes da vida contemporânea. Pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes mudanças serão as pessoas que estarão sintonizadas com o nosso mundo, pois todos os dias estamos inerentes a desvios aos quais não estamos acostumados, ou que não foram “previamente calculados”. A busca através da incerteza e a resiliência no design foram os temas tratados por Jonas Löwgren e Luiz Merkle, respectivamente. Este tratou de contextualizar o design no momento atual, no qual o design de interação busca seu equilíbrio através do diálogo com distintos campos do conhecimento. Já Löwgren nos deu uma aula de como o design de interação é realmente humanizador das tecnologias por essência, e de como o design de interação deve dialogar com as pessoas e com o mundo.

Vídeos e fotos.

O Interaction South America 2010 foi promovido pelos capítulos brasileiros da IxDA (Interaction Design Association). Gostaria de agradecer a cada um pelo empenho e dedicação: Robson Santos, Ricardo Couto, Rodrigo Cruz, Paulo César, Monica Fernandes, Alex Francis, Jane Vita, Claudia Zacar, Ricardo Fleck, Danilo Barros, Pedro Belleza, André Rabelo, João Costa, Fabio Palamedi, Ricardo Sato, Amyris Fernandez, Matina Moreira, Gustavo Gawry, Leandro Alves, Karine Drummond, Fabrício Marchezini, Geovane Rodrigues, Marcos Machado, Maurício Lellis, Robson Ribeiro, Chico Spencer, Carlos Rosemberg e a todos os amigos que ajudaram na semana e durante os três dias de evento.

Obrigado e até o Interaction South America 2011 em Belo Horizonte.

Érico Fileno
Interaction Designer
IxDA Curitiba – Interaction Design Association
Chairman and Curator of Interaction South America 2010

Uma resposta para “Interaction South America 2010 (resumo)

  1. Pingback: Tweets that mention Interaction South America 2010 (resumo) | Design de Interação -- Topsy.com

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s